Como calcular a economia de taxas para convencer um lojista a trocar de maquininha
Para calcular a economia de taxas e convencer um lojista, o caminho é converter percentuais em reais por modalidade de pagamento. O método exige quatro informações: faturamento separado por débito, crédito à vista, crédito parcelado e Pix; a taxa atual (MDR) de cada modalidade; as taxas da maquininha proposta; e o prazo de recebimento de cada opção. Antes da visita, é importante levar o extrato de vendas do lojista do último mês, a tabela de taxas da maquininha atual, a tabela de taxas da maquininha proposta e uma calculadora ou planilha no celular.
Ao longo deste artigo, você vai encontrar os oito passos do cálculo, um exemplo com números declarados como fictícios, orientações sobre como apresentar o resultado na conversa e os critérios para identificar quando a troca não se justifica. Também vale conferir como conciliar pagamentos e vendas para extrair o faturamento por modalidade do extrato com mais precisão.

Por que mostrar a economia de taxas em reais, e não em porcentagem
Quando o revendedor ou a revendedora chega com uma proposta de “taxa 0,3 ponto percentual menor”, o lojista ouve um número abstrato. A diferença de 0,3 p.p. não se conecta com nenhuma conta que ele paga no mês. Já “R$ 180 a menos por mês” é uma parcela de fornecedor, uma conta de luz, parte do aluguel.
O lojista pensa em reais porque todas as suas obrigações chegam em reais. A conversão mental de percentual para valor monetário raramente acontece durante uma visita comercial, e o argumento se perde. Por isso, o cálculo precisa chegar pronto, com o número final já traduzido.
Dois conceitos entram nessa conta. O MDR (Merchant Discount Rate) é a taxa cobrada sobre cada transação por modalidade. O CET (Custo Efetivo Total) vai além e inclui o custo de antecipação de recebíveis e eventuais taxas de aluguel. Apresentar apenas o MDR pode mostrar uma economia que o CET desfaz, por isso os dois números precisam aparecer no cálculo.
Como calcular a economia de taxas do lojista em oito passos
O cálculo segue uma sequência que pode ser feita durante a visita, com o extrato de vendas do lojista na mão e uma planilha no celular. Cada passo produz um número que alimenta o próximo.
- Passo 1: Pegue o extrato de vendas do último mês e separe o faturamento por modalidade: débito, crédito à vista, crédito parcelado e Pix.
- Passo 2: Anote a taxa atual (MDR) de cada modalidade. Atenção: o crédito parcelado costuma ter MDR diferente por número de parcelas.
- Passo 3: Multiplique o faturamento de cada modalidade pela respectiva taxa para obter o custo atual por modalidade.
- Passo 4: Some todos os custos por modalidade. O resultado é o custo mensal total com a maquininha atual.
- Passo 5: Repita os passos 2 e 3 com as taxas da maquininha proposta.
- Passo 6: Subtraia o custo proposto do custo atual. Essa diferença, em reais, é a economia mensal bruta.
- Passo 7: Verifique se a maquininha nova tem aluguel ou custo de aquisição. Se tiver, desconte esse valor da economia bruta para chegar à economia líquida.
- Passo 8: Confira se o prazo de recebimento muda entre as duas opções e se isso obriga o lojista a antecipar recebíveis, o que gera custo adicional.
Um exemplo de conta com números fictícios
Os números abaixo são fictícios e servem apenas para ilustrar o método. As taxas reais devem ser verificadas nas páginas oficiais de cada maquininha antes de qualquer apresentação.
Considere uma mercearia com R$ 20.000 de faturamento mensal distribuídos assim: R$ 8.000 em débito, R$ 5.000 em crédito à vista e R$ 7.000 em crédito parcelado. Com a maquininha atual, as taxas fictícias são 1,5% no débito, 2,8% no crédito à vista e 3,5% no crédito parcelado.
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- Custo atual no débito: R$ 8.000 × 1,5% = R$ 120
- Custo atual no crédito à vista: R$ 5.000 × 2,8% = R$ 140
- Custo atual no crédito parcelado: R$ 7.000 × 3,5% = R$ 245
- Custo mensal total atual: R$ 505
Com a maquininha proposta (taxas fictícias: 1,3% no débito, 2,5% no crédito à vista e 3,1% no crédito parcelado), o custo cai para R$ 104 + R$ 125 + R$ 217 = R$ 446. A diferença bruta é R$ 59 por mês. Se a maquininha nova tem aluguel de R$ 30, a economia líquida cai para R$ 29. Com esse dado na mão, o lojista decide se a troca faz sentido para o seu caixa.
O prazo de recebimento entra na conta?
O prazo de recebimento afeta o custo real da operação. Quando o lojista usa uma maquininha com recebimento em D+1 e a nova oferece D+30, ele precisará antecipar os recebíveis para manter o fluxo de caixa, e essa antecipação tem custo.
O CET captura exatamente esse impacto. Antes de apresentar o número final, vale verificar a taxa de antecipação de cada maquininha na fonte oficial e incluir esse custo na simulação. Uma maquininha com MDR menor, mas com D+30 e custo de antecipação alto, pode ter CET maior do que a opção atual com D+1.
Como apresentar a economia de taxas na conversa com o lojista
Ter o cálculo pronto é metade do trabalho; a outra metade é mostrar o número de um jeito que o lojista consiga acompanhar em segundos.
A apresentação mais eficaz cabe em três linhas: custo atual, custo proposto e diferença em reais. Uma folha de papel ou a tela do celular com esse formato evita confusão com tabelas cheias de percentuais. O revendedor ou a revendedora deve ler o número em voz alta: “Você paga R$ 505 por mês hoje; com a maquininha nova, pagaria R$ 446, uma diferença de R$ 59.” Ouvir o valor em voz alta reforça o impacto do argumento.
Não sobrecarregue a apresentação com todas as linhas do cálculo. Mostre o resultado e, se o lojista quiser entender de onde vem, abra o detalhamento por modalidade. A sequência certa é: número final primeiro, detalhes depois.
Quando o lojista não quer mostrar o relatório
Nem todo lojista compartilha o extrato de vendas com um revendedor ou revendedora que ainda não conhece bem. Nesse caso, peça uma estimativa: quanto ele fatura por mês no débito, no crédito e no Pix? Com esses valores declarados pelo próprio lojista, o cálculo segue os mesmos oito passos.
O ponto importante é deixar claro que o resultado será uma estimativa. Dizer “com base no que você me informou, a diferença seria em torno de R$ X” é mais honesto do que apresentar um número preciso sem o extrato real. Quando a conversa avançar, o lojista tende a compartilhar o extrato para confirmar a conta.

Como conferir se o cálculo da economia de taxas está certo
Antes de apresentar o número ao lojista, uma revisão rápida evita erros que podem comprometer a credibilidade do argumento.
Verifique os seguintes pontos:
- Faturamento separado por modalidade (não usar o total geral do mês)
- MDR correto por modalidade e prazo (débito D+1, crédito à vista, crédito parcelado com o número de parcelas correspondente)
- Aluguel mensal ou custo de aquisição da maquininha nova incluído no cálculo
- Antecipação de recebíveis e CET verificados na fonte oficial
- Pix com ou sem custo na maquininha conferido na página oficial
- Prazo de recebimento comparado entre as duas opções
Se algum desses pontos estiver em branco, o número pode enganar. Apresentar uma estimativa declarada como tal é mais seguro do que mostrar um cálculo com um dado incorreto. O lojista percebe a inconsistência depois da troca, e isso compromete a relação comercial.
Erros comuns ao calcular a economia de taxas de maquininha
Quem monta esse cálculo pela primeira vez costuma tropeçar nos mesmos pontos. Conhecer esses erros antes da visita poupa constrangimento na hora de apresentar o número.
Os erros mais frequentes são:
- Usar a taxa de crédito à vista para todo o crédito, ignorando que o crédito parcelado tem MDR diferente por número de parcelas
- Esquecer o aluguel mensal da maquininha atual ou da nova ao calcular a diferença
- Comparar taxas sem verificar o prazo de recebimento, o que esconde o custo de antecipação
- Apresentar percentuais sem converter para reais, perdendo o impacto do argumento
- Usar o faturamento de um mês atípico, como dezembro, sem avisar o lojista que os números podem não refletir a média
- Não sinalizar quando o resultado é uma estimativa baseada em dados declarados, e não no extrato real
Um erro em um único campo pode inverter o resultado: o cálculo mostra economia onde há custo extra, e o lojista descobre isso no extrato do mês seguinte. Para confirmar se a economia de taxas se concretizou após a troca, acompanhar o extrato real é fundamental. O processo de conciliar pagamentos e vendas ajuda a cruzar o faturamento por modalidade com os valores efetivamente recebidos.
Perguntas frequentes sobre como calcular a economia de taxas para o lojista
Vale a pena trocar de maquininha por pouca diferença de taxa?
Depende do valor em reais, não do percentual. Uma diferença de 0,2 p.p. pode representar R$ 40 ou R$ 400 por mês, conforme o faturamento do lojista. Se a economia mensal em reais não cobrir o custo de aquisição da nova maquininha ou o impacto de um prazo de recebimento mais longo no caixa, a troca pode não se justificar.
O aluguel da maquininha entra no cálculo?
Sim. O aluguel mensal é um custo fixo que reduz a economia aparente. Se a maquininha atual tem aluguel e a nova não tem, ou tem valor diferente, essa diferença entra diretamente na conta. Para maquininhas compradas, o custo de aquisição pode ser dividido pelos meses de uso estimado para comparar com o aluguel mensal da opção concorrente.
Como comparar duas maquininhas quando os prazos de recebimento são diferentes?
O primeiro passo é verificar se o lojista usa antecipação de recebíveis na maquininha atual. Se a opção nova tem prazo maior, como D+30 contra D+1 atual, o lojista precisará antecipar para manter o caixa, e isso tem custo que entra no CET. Inclua o custo de antecipação na simulação antes de apresentar o número.
O Pix tem custo na maquininha?
Depende da maquininha e do plano contratado. Algumas maquininhas cobram MDR sobre o Pix recebido pelo dispositivo; outras não cobram nada. O Pix deve entrar ou sair do cálculo conforme o que o lojista realmente usa no dia a dia.
Antes da próxima visita, confira as taxas oficiais das maquininhas que você pretende oferecer. Para quem trabalha com as maquininhas Point, por exemplo, as taxas das maquininhas Point estão disponíveis na página oficial do Mercado Pago e servem como fonte primária para alimentar o cálculo com números reais. Mostrar ao lojista o impacto da troca ao longo do tempo, e não só no primeiro mês, é um argumento que fortalece a decisão: o artigo sobre controle de fluxo de caixa traz um modelo que você pode adaptar para essa conversa.
Consulte condições e tarifas em: https://www.mercadopago.com.br/ajuda/termos-e-condicoes_299
